Biorremediação é alternativa sustentável para reabilitar solos contaminados
O Brasil tem uma oportunidade de utilizar compostos orgânicos para remediação de solos contaminados, a fim de que essa áreas sejam reabilitadas. Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos…
O Brasil tem uma oportunidade de utilizar compostos orgânicos para remediação de solos contaminados, a fim de que essa áreas sejam reabilitadas. Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2020, foram gerados 36 milhões de toneladas de resíduos orgânicos no país e um pequeno percentual é compostado. A maioria é destinada para os aterros ou lixões.
"É um potencial não explorado", pontuou Camila Camolesi Guimarães, pesquisadora na seção de Investigações, Riscos e Gerenciamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), durante o BW Talks Transformando Resíduos em Oportunidades: Uso de Composto Orgânico para a Remediação de Áreas Contaminadas, promovido no dia 21 de julho.
"Esse composto orgânico advindo da compostagem pode ser usado na remediação de solos contaminados. Ele serve para aumentar a quantidade de nutriente biodisponível para os microorganismos no solo, e para adicionar bactérias e fungos, para facilitar o crescimento desses organismos que farão a degradação do contaminante", explicou Camila. Os compostos orgânicos também melhoram a estrutura do solo, o pH, a capacidade de retenção de umidade e capacidade de aeração
A técnica que utiliza microrganismos para degradar, transformar ou remover contaminantes do solo, a fim de que não ofereçam riscos ao ambiente e às populações que habitam a localidade, é conhecida por biorremediação. "Ela pode tratar diversos tipos de contaminantes, contudo, quando a concentração do contaminante for acima da capacidade dos microorganismos realizar a degradação, é necessário um tratamento preliminar para depois aplicar a biorremediação para refinar o tratamento do solo", afirmou Camila.
Durante o evento online do Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), a pesquisadora do IPT trouxe dois estudos de casos realizados no exterior, que confirmam os bons resultados da biorremediação. No primeiro, remediou-se mais de 3 mil m³ de solo contaminado por TPH, enquanto no segundo, foram tratadas 2 mil toneladas de solo contaminado por pentaclorofenol.
Entretanto, essa técnica apresenta desafios, como o tempo e o desconhecimento sobre a biorremediação. "Por ser uma atividade biológica, há um período maior para a degradação do contaminante em comparação com processos químicos ou físicos", disse Camila. Em pequena escala, é possível obter resultados de degradação entre 60 a 90 dias. Já em grande escala, pode-se chegar a um ano.
Outro ponto trazido por ela foi a necessidade de se fazer um teste de bancada antes da biorremediação, a fim de conhecer o local contaminado. "Se o meio estiver saturado, com muita água ou o solo for muito argiloso ou compactado, esse lugar pode não ser ideal para o crescimento de microorganismos", ponderou. Comentou também que no país não há projetos-piloto de biorremediação no campo, apenas em escala de laboratório.
O BW Talks Transformando Resíduos em Oportunidades: Uso de Composto Orgânico para a Remediação de Áreas Contaminadas está disponível no site oficial do Movimento BW.
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